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A verdade nua e crua sobre consultoria

  • 20 de ago. de 2018
  • 3 min de leitura

Recentemente, Weisberg e Nelson (2018) publicaram na Organization Science, uma das melhores revistas sobre organizações no mundo, um artigo que mostra como consultores transferem seu conhecimento para as empresas.


Consultoria é um mercado milionário no mundo inteiro, não é?


Geralmente quanto a gente pensa em consultores, pensa em empresas imensas, chiques, executivos de Hugo Boss e demais perfumarias.


Tipo esse grupo aí de cima na foto. Claro que ele checando sua conta bancária no Personalité, antes de entrar na sua Land Rover. E pela risadinha, tá ganhando 6 dígitos por mês.


Ou ainda pensa naqueles caras que estão começando a carreira em consultoria, se aproveitando de um nicho que paga bem.


Consultores parecem feder a conhecimento de negócios. Seus MBAs, cursos em Harvard, experiências "abroad", e linguajar complicado impressionam à primeira vista.


Mas na verdade, e como eu sempre digo, é gente que nem a gente.


Recentemente, Weisberg e Nelson (2018) publicaram na Organization Science, uma das melhores revistas sobre organizações no mundo, um artigo que mostra como consultores transferem seu conhecimento para as empresas.


E é disso que vou falar agora.


De onde vem o conhecimento?

Se você pensar bem, o conhecimento é o maior ativo da sua empresa.


Ele que diferencia o seu sucesso do seu fracasso. Ele é precursor da vantagem competitiva, da grana, do sucesso, da fama, etc.


As organizações constroem esse conhecimento a partir de duas fontes:


Da sua experiência e história

Da experiência e história de outras organizações

Esse segundo ponto é o que possibilitou a "invenção" do mercado de consultoria.


Essa prática de colocar conhecimento de um lugar nos demais lugares, sabe?


A princípio, parece uma tarefa fácil, não é?


E de fato, muitos consultores encaram isso como uma tarefa fácil.


Muitos consultores tem materiais prontos, que servem como padrões "one size fits all".


Eles chamam isso de "melhores praticas", e recentemente deram novos rótulos para isso "padrão mundial", "gold standard", "de vanguarda", etc.


Mas será que um tamanho veste todos mesmo mesmo? Será que um laboratório de análises clínicas pode ter o mesmo modelo de planejamento que uma imobiliária?


Na verdade, essas simplificações da consultoria dez o que DiMaggio e Powell (1983) chama de isomorfismo.


Isto é, todas as organizações ficam muito parecidas umas com as outras.


E daí basta alguém sair desse quadrado e se diferenciar, matando todas as outras :)


É fácil achar as cagadas de grandes consultorias ao redor do mundo, mais notadamente da Bain & Company, da Boston Consulting Group, etc.


Mas quem é o culpado?

Bom, não é simples apontar um dedo. Mas eu já levantei o meu e vou apontar.


Veja, como humanos, queremos sempre a solução mais fácil, mais rápida, mais barata e melhor.


Isso é extremamente apelativo às nossas emoções.


E é exatamente isso que alguns consultores prometem. Soluções fáceis, baratas e excelentes, que vão entupir seu caixa de dinheiro.


E sem nenhum esforço da sua parte.


Você se imagina co a sua família nas ilhas Cayman a bordo do seu iate enquanto o consultor faz o seu trabalho?


Quando, na verdade, você apenas terceirizou a gestão para alguém que tá fazendo exatamente o mesmo trabalho que fez no seu concorrente, logo antes de chegar na sua empresa.


Portanto, temos dois culpados:


Quem faz a promessa de lucros rápidos sem esforço nenhum

Quem aceita a promessa de lucros rápidos sem esforço nenhum

Muita gente acha que a consultoria é o buraco do coelho que as empresas tem que entrar para ir para o país das maravilhas.


Fazendo consultoria do jeito certo

Em qualquer tipo de prescrição que alguém faça para uma empresa ou para uma pessoa, contexto é a palavra chave.


É impossível. Eu repito. É impossível apenas transferir conhecimento de um lugar para outro. Isso dá cagada no longo prazo (mas de novo, quem se preocupa com o longo prazo?)


Não existe uma maneira de transformar conhecimento em uma commodity e engolir.


Szulanski (2000) diz que a transferência de conhecimento dá trabalho, leva tempo e é muito difícil de fazer.


Por isso que me dá arrepios aquele tipo de consultoria "relâmpago", "choque de gestão", e demais atalhos da moda.


Se alguém tivesse lido os trabalhos de Levitt e March (1988), de Kogut e Zander (1992), de Nickerson e Zenger (2004), saberia como funciona o conhecimento organizacional.


Mas, como eu sempre digo aqui, alguns executivos e consultores são bons demais para a academia.


São entidades que podem ignorar a ciência.


Então, meus queridos, vamos continuar tratando de hepatite com epocler, pneumonia com melagrião e diabetes com herbalife.


Porque epocler, melagrião e herbalife, são soluções rápidas, fáceis, baratas, e com um bom retorno do curto-prazo para problemas sistêmicos, históricos, complexos e profundos.


Ganha o consultor, que pega a planilha pronta no excel para fazer as coisas, e ganha a empresa ,que sente uma "melhora", um alívio no seu quadro.


Enquanto morre as poucos.


Retirado do site administradores.com.br, escrito por Caio Camargo da Silva






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